
Gn 15,1-21 – rodapé da Bíblia Ave Maria
Novamente, Deus toma a iniciativa nesta história de Abraão que começou no capítulo 12. E de novo uma promessa: “Nada temas, Abraão! Eu sou o teu protetor”. Pela primeira vez, Abraão responde ao Senhor. Os dons que o Senhor oferece não lhe terão grande serventia, visto que Abraão não não tem quem herde seus bens; um estrangeiro será o herdeiro, seu nome e sua reputação se perderão para sempre. Continua a ratificação da promessa que se prolongará infinitamente, graças a um herdeiro nascido das próprias entranhas do patriarca (v. 4). Promessa que ainda não se concretiza, mas na qual fica comprometida a Palavra do Senhor, graças ao acordo selado com Abraão. Os versículos 9s descrevem a maneira como se selava um pacto ou aliança: vários animais cortados em dois e as metades dispostas uma em frente da outra. As duas partes que firmavam o pacto passavam pelo meio (vv. 17s), depois de ter fixado as cláusulas e compromissos, preferindo a imprecação de que lhes sucedesse o mesmo que aconteceu a esse animais divididos se chegassem a quebrar alguns dos compromissos firmados. Os animais partidos eram, então, o símbolo da sorte que teriam as pares do acordo no caso da ruptura da aliança (cf. Jr 34,18s). A novidade desta aliança do Senhor com Abraão, que salienta a gratuidade absoluta, é o fato de Deus ser um dos pactuantes ou copartícipes. Na prática normal, a divindade ou as divindades eram tomadas como testemunhas do pacto; Deus é testemunha e pactuante, o que lhe dá ainda maior garantia de cumprimento. Existem aqueles que afirmam que, dada essa condição, não se podia falar em sentido estrito de uma aliança, mas sim de uma promessa muito firme que Deus faz a Abraão. De todos os modos, o narrador pouco importa -se se realizam ou não todos os termos da formalidade da aliança. O que de fato se quer transmitir é a profunda e íntima união de Deus com o povo, cujos laços se estreitam de modo definitivo por meio de uma aliança que tem como efeito imediato estabelecer a paternidade por parte do contraente principal – neste caso, o próprio Deus, a filiação do contraente secundário, neste caso Abraão, e a fraternidade de todos entre si. Esse tipo de vínculo gerado pelas alianças chegou a ter muito mais força que os vínculos de sangue. Os vv.13s não são bem um vaticínio do que acontecerá ao povo no Egito, mas sim uma constatação do que na realidade aconteceu. Os vv.18b-20 não são a geografia da terra prometida, cuja totalidade jamais pôde concretizar-se. Quem mais se aproximou desses limites foi Salomão, mas depois dele até na atualidade essa extensão nunca pôde estar completamente nas mão do povo judeu.